Chegou aquela altura do ano… o nosso resumo anual do que aí vem! Após um ano marcado por enormes desafios e a adaptação a um “novo normal”, a nossa equipa reuniu-se novamente para prever as principais tendências e desafios para o Facility Management em 2022. Será que vamos voltar à normalidade depois da COVID-19? Ou devem os facility managers investir em soluções a longo prazo, em vez de “desenrascar”?

 

Trabalho híbrido e utilização do espaço

É justo dizer que já não somos os mesmos depois da pandemia da COVID-19. Os dias de trabalho provavelmente nunca mais vão voltar ao que eram, e todos os sinais apontam para o trabalho híbrido. Os trabalhadores vão passar a trabalhar algumas vezes por semana presencialmente, e remotamente durante o resto do tempo. Dado que as pessoas deixam de vir trabalhar todos os dias, as empresas vão necessitar de menos espaço de escritórios e podem vir a adotar uma política de “hot-desk”.

 

Na verdade, os trabalhadores não são os únicos que podem beneficiar com mudanças. Um relatório recente da Deloitte salienta que este tipo de trabalho tem vários benefícios, incluindo a redução dos custos de viagem, do consumo de energia e da pegada de carbono. No entanto, a otimização destes espaços de trabalho limitados é um desafio para os facility managers. Só há uma forma de ultrapassar este desafio: monitorizar a utilização do espaço.

 

Isto leva-nos a uma nova tendência: location awareness (algo assim como “monitorização da localização”)  e tecnologia de sensores. Os sensores, que devem ser impercetíveis, podem ser utilizados para monitorizar a ocupação, a temperatura e a humidade ambiente, etc. Estes dados permitem aos facility managers ajustar-se à utilização real do espaço, otimizá-lo e proporcionar conforto em todos os momentos. Exploramos aqui mais pormenorizadamente como vai ser o Facility Management depois da COVID-19.

 

Serviços digitais no local de trabalho

Os dados dos sensores podem ser recolhidos diretamente no sistema de gestão de edifícios ou no software de facility management. Mas esta não é a única tendência digital com que os Facility Managers vão ter de se confrontar. A experiência do utilizador é a maior tendência da última década, e a FM e Manutenção centrada no ser humano vai crescer ainda mais com a indústria 5.0. A questão é, como é que se pode proporcionar uma excelente experiência em locais de trabalho híbridos?

 

Primeiro, recomendamos a integração de software de facility management com outras ferramentas ou aplicações que a empresa utiliza regularmente. Por exemplo, integrar o software FM com aplicações para reservar salas de conferências ou reuniões, utilizar ferramentas de comunicação para receber feedback, e assim por diante. Deve também agilizar os pedidos de assistência (por exemplo, relatórios sobre impressoras, máquinas de café avariadas e outro equipamento comum).

 

Sustentabilidade e eficiência dos edifícios

Outro tema central para 2022 é a sustentabilidade. A pandemia da COVID-19 pôs em evidência a quantidade depoluição gerada por outras atividades do dia a dia. Isto levou várias organizações, incluindo a OCDE, a apelar a uma “recuperação pós-COVID sustentável”. Mas, para os facility managers, a sustentabilidade encerra vários desafios: operações sem papel, eficiência dos edifícios e uma melhor gestão dos resíduos.

 

A boa notícia é que os sensores também ajudam nesta tarefa. Os dados dos sensores podem ser utilizados para otimizar operações e poupar nas despesas – por exemplo, deteta quando e onde está a desperdiçar mais energia. Mas também pode utilizar sensores de movimento para ligar e desligar luzes, que é uma das formas mais simples de poupar energia e eletricidade.

 

Mas, claro, a poupança com base na otimização e manutenção adequada só vai até certo ponto. Se os relatórios mostram não haver mais nada onde se possa cortar sem comprometer o conforto, está na altura de avaliar o consumo de energia do edifício. Poderá então utilizar esses dados e relatórios para justificar a adaptação do envelope térmico do edifício e melhorar o isolamento.

 

Manutenção pró-ativa

Os benefícios da manutenção pró-ativa (quer preventiva, quer preditiva) são claros. Não há outra forma de resolver os problemas antes de os seus clientes se aperceberem deles! Mas é mais fácil dizer que fazer, certo? Por incrível que pareça, a manutenção pró-ativa pode finalmente vir como um subproduto de todas as tendências que vimos até agora. Se os facility managers aderirem à mais recente tecnologia e começarem a recolher dados, podem alcançar algum tipo de previsibilidade.

 

Assim que tiver essa previsibilidade, o seu plano de manutenção pode tornar-se mais pró-ativo e ainda mais incisivo. Há menos sobremanutenção e menos reparações. Conforme falámos recentemente com Cláudio Celino, um engenheiro especializado em manutenção de edifícios, precisa de utilizar os dados e o software para “finalmente estabilizar a quantidade de manutenção preventiva” e, em simultâneo, “reduzir o número de reparações”.

 

Contudo, estas não são as únicas vantagens. As empresas ainda estão a recuperar da crise económica causada pela COVID-19. E, como todos sabemos, em tempos de crise, o facility management pode ser um dos primeiros departamentos a sofrer cortes orçamentais. Isso significa que é mais importante que nunca ter previsibilidade e determinar quais as tarefas de manutenção que podem ser adiadas até que o orçamento o permita.

 

Para onde quer que se vire, parece que os “dados” são a chave. São o que permite aos gestores ajustarem-se ao trabalho híbrido e otimizarem os recursos – ou, em termos mais administrativos, cortarem custos. As mudanças operacionais podem ter começado por necessidade durante a pandemia da COVID-19, mas parece que a maioria delas veio para ficar. Portanto, um último conselho: certifique-se que está preparado para 2022 com a tecnologia certa!  

 

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