Sempre que alguém lhe diz para “aprender com os erros”, essa é provavelmente a última coisa que quer ouvir. Mas isso não torna a expressão menos verdadeira. É sempre possível transformar um negativo num positivo, mesmo quando se passou pelo pior dos insucessos. Por isso, mesmo que as falhas causem paragens, despesas pendentes e muito drama, aprenda com as avarias. E não fomos nós a chegar a esta conclusão.Este processo é, na verdade, conhecido como FRACAS, que significa Sistema de Notificação de Falhas, Análise e Ações Corretivas (do inglês Failure Reporting, Analysis and Corrective Action System).

 

O que é o “FRACAS”?

FRACAS significa Sistema de Notificação de Falhas, Análise e Ações Corretivas. Como o nome indica, é constituído por três etapas:

 

⚙️ Notificação – identificar avarias de ativos

⚙️ Análise – aprender com o histórico de avarias

⚙️ Correção – tomar medidas para corrigir as avarias e evitar que estas voltem a acontecer

 

Antes de começarmos: uma nota sobre a fiabilidade dos dados

O FRACAS baseia-se em dados precisos e completos. Se os seus dados não forem fiáveis, as conclusões não serão válidas. É por isso que precisamos de falar seriamente sobre a recolha do máximo de dados exatos possível. No entanto, a recolha de dados é um processo em si mesmo. Uma das coisas que os nossos clientes mais partilham connosco, é que os técnicos se esquecem frequentemente de arquivar relatórios, ou esquecem-se de detalhes sobre as reparações, porque ou utilizaram um sistema baseado em papel ou sem um CMMS móvel.

 

Naturalmente, confiar na memória não produz dados muito precisos para trabalhar. Por outro lado, se os técnicos estiverem equipados com a tecnologia certa, registarão os detalhes no local, o que aumenta significativamente a quantidade de dados que se pode extrair do histórico de ativos e ordens de trabalho. Usando as etiquetas NFC da Infraspeak, os técnicos podem simplesmente aproximar os telefones da etiqueta NFC para cronometrar o trabalho e fechar uma ordem de trabalho. Também desenvolvemos uma aplicação móvel para poderem estar sempre ligados à plataforma.

 

Agora, isto não significa que os seus dados serão 100% precisos. Os técnicos podem esquecer-se de aproximar o telemóvel da etiqueta e fechar a ordem de trabalho. Podem registar o stock errado. Mas diminui significativamente a quantidade de erros humanos, e dá-lhe uma margem de erro suficientemente pequena para trabalhar. Além disso, uma plataforma de manutenção irá gerar relatórios automáticos, o que lhe poupa tempo na análise de relatórios e dados. Aqui estão algumas medidas que pode tomar para garantir que todo o processo é intuitivo para toda a equipa e que os dados são fáceis de registar:

 

  • Certifique-se que as ordens de trabalho são fáceis de preencher e de completar;
  • Acompanhe as falhas que ainda não estejam fechadas para garantir que não se trata de um erro;
  • Faça contactos regulares com técnicos para saber que informações consideram desnecessárias, em que partes do processo têm mais dificuldades, etc.;
  • À medida que o tempo passa, reveja os processos para eliminar a informação que já não é relevante (porque a automatizou, por exemplo), e para ver se há algo mais que precisa de começar a solicitar. Elimine o “ruído” das ordens de trabalho; 
  • Automatize a recolha de dados com sensores de monitorização da condição. Estes dispositivos podem ser ligados à sua plataforma de manutenção e pode controlar os dados em tempo real.

 

Como funciona o FRACAS passo a passo

1. Análise do Modo e Efeito de Falha (FMEA)

O primeiro passo do FRACAS é o nosso velho amigo FMEA. Para simplificar, pegue no histórico e nos dados de desempenho dos equipamentos para detetar falhas frequentes. Em seguida, enumere as causas de cada falha (modos de falha), o impacto que pode ter (efeitos), e como lidar com cada uma delas.

Veja aqui mais sobre a FMEA e como a realizar passo a passo.

2. Criação de códigos de falha

O segundo passo consiste em criar códigos de falha. Os códigos de falha são descrições curtas do que aconteceu (um alarme disparou, houve um problema no rolamento, um problema de calibração ou, de certa forma, os modos de falha). A utilização de códigos de falha ajuda a dar prioridade às falhas, mas também é extremamente útil monitorizar as falhas por categoria. Tenha cuidado para não ter uma quantidade ilimitada de códigos – caso contrário, os técnicos podem não se dar ao trabalho.

3. Análise de Ordens de Trabalho

Mais uma vez, são necessários dados precisos para se fazer uma análise válida. Verifique que falhas ocorrem com mais frequência (utilizando os códigos de falha), notas de conclusão, as ordens de trabalho que levam mais tempo a resolver, o que está a melhorar com o tempo e o que não está. As ordens de trabalho devem ser a primeira e mais fiável fonte de informação sobre falhas, ainda que também se possa consultar os técnicos e pedir o feedback deles.

4. Análise de Causa Raiz

Mas… A FMEA não é uma ferramenta de análise de causa raiz? Sim, tem razão, mas está na altura de olhar para as falhas e perguntar porque é que elas estão a acontecer. Pode literalmente fazer uma Análise de 5 Porquês, usar um diagrama de espinha de peixe, FTA ou outro tipo de análise de causa raiz. O objetivo é compreender a verdadeira fonte do problema para se poder ajustar a manutenção preventiva e preditiva para o impedir.

Descarregue o nosso guia completo de Análise de Causa Raiz.

5. Ajuste de Estratégia

FRACAS é um ciclo Kaizen, o que significa etapas repetidas várias vezes, numa tentativa de alcançar uma melhoria contínua. Monitorize os resultados, as falhas no arranque, os custos de manutenção e as horas de manutenção por código de falha, peça feedback aos técnicos e implemente alterações que possam melhorar o desempenho. Quando decidir tentar um novo procedimento, não se esqueça de começar em pequena escala, com uma única máquina ou alguns equipamentos, num ciclo PDCA.

 

Mesmo após ter avaliado os resultados, há outras coisas que pode fazer. Uma é criar relatórios para acompanhar o impacto das mudanças que implementou (por exemplo, quanto dinheiro poupou, como o downtime não planeado está a diminuir, etc.). A outra é a auditoria de dados. Não os verifique um a um, mas verifique se há alguma ordem de trabalho estranha, sinais de alerta e teste se os técnicos registam tudo corretamente. 

 

Tem sido uma aventura, mas sentimos que definitivamente temos muito a aprender com os nossos erros. Perdão, com as nossas falhas. Lembre-se: pode sempre contar com a plataforma inteligente de gestão de manutenção da Infraspeak para recolher melhores dados e transformá-los em sugestões inteligentes!