Apesar de ser fundamental para o funcionamento da empresa, a manutenção ainda é vista muitas vezes como uma “despesa” e “mal necessário”. O resultado? Alguns departamentos de manutenção convertem-se em portas giratórias, incapazes de reter gestores, supervisores e técnicos. 

 

A rotatividade dos funcionários (turnover) torna-se especialmente grave se tivermos em conta que há falta de técnicos especializados. Além disso, o próprio processo de recrutar e treinar novos funcionários também tem custos para a empresa. Leia algumas das nossas melhores sugestões para reduzir a rotatividade de técnicos e gestores de manutenção e reter talento!

 

Dar o feedback certo

A parte ingrata do trabalho em manutenção é que, quando é bem feito, torna-se invisível. Algumas empresas só prestam atenção a este departamento quando querem encontrar um culpado para uma avaria. Mas, como todos sabemos, a manutenção não serve só para “apagar fogos” quando um equipamento avaria.

 

É decisivo que a manutenção seja encarada como uma área estratégica para alcançar os objetivos da empresa. A equipa deve sentir-se reconhecida quando obtém bons resultados (pouco downtime, alta disponibilidade e fiabilidade dos ativos), em vez de só receber feedback negativo.

 

…e saber receber feedback 

A comunicação tem sempre dois sentidos. Não se feche em copas quando se trata de receber feedback. É importante perceber quais são as expectativas dos supervisores e técnicos. Sentem que não têm as ferramentas que precisam? Acham que trabalham demasiadas horas? Não estão de acordo com os turnos?

 

Ninguém gosta de se sentir invisível, muito menos de se sentir ignorado. Preste atenção ao feedback da equipa e promova a melhoria contínua através de eventos Kaizen, por exemplo, em que todos podem debater a melhor forma de resolver cada um dos problemas que afetam a sua operação. 

 

O software certo 

Sem as ferramentas certas, não há condições. E quando falamos em manutenção, não nos estamos a referir apenas ao material para executar as reparações. Entre software, IoT e técnicas de manutenção baseada na condição cada vez mais avançadas, há muita tecnologia que agiliza as suas operações. 

 

Portanto, é seguro dizer que o software de gestão de ativos também contribui para reter os melhores profissionais consigo e proporcionar um ambiente mais gratificante. Para os técnicos no terreno, é mais prático aceder às fichas técnicas e às requisições em mobile, enquanto os gestores conseguem acompanhar todos os processos à distância.  

 

Apoio Remoto

Muitas vezes, esquecemo-nos de que o trabalho de manutenção pode ser profundamente solitário. Habitar numa ilha faz com que o gestor de manutenção e os técnicos se possam sentir estagnados e desmotivados. Não basta implementar uma cultura empresarial forte – tem  de provar que são uma equipa no dia a dia. 

 

Uma das melhores maneiras de o fazer é comunicar com as equipas no terreno e criar ‘insight hubs’. Para os técnicos, especialmente aqueles que têm menos experiência, sentir que têm este apoio remoto é uma mais-valia. Ao mesmo tempo, nunca deixam de se sentir parte de uma equipa. 

 

No caso das empresas que prestam assistência técnica, este ponto é especialmente importante porque os seus técnicos também são o seu rosto perante os clientes. Oferecer-lhes este apoio permite proporcionar uma experiência melhor e promover a fidelidade dos clientes, segundo um estudo da Deloitte UK.

 

Formação Contínua 

Na mesma linha de pensamento, também é importante oferecer formação contínua para combater o sentimento de “estagnação”. Durante o treino inicial, é importante continuar a dar oportunidades para progredir e aprender mais. A formação contínua é especialmente atrativa para quem está a começar a sua carreira.

 

Tanto a Manutenção como o Facility Management são áreas que estão a evoluir rapidamente e que exigem capacidade de adaptação. Sempre que adotar uma nova tecnologia que tem um impacto direto no trabalho da equipa, prepare uma fase de onboarding para facilitar a implementação. 

 

Autonomia

Por um lado, trabalhar sozinho pode promover o “check-out” mental da equipa e da empresa. Por outro, dar mais autonomia aos seus funcionários demonstra confiança e uma liderança menos autoritária. Aliás, há vários gestores que defendem essa abordagem na manutenção industrial. 

 

As empresas que promovem a manutenção autónoma, que pode servir como um trampolim para a Manutenção Produtiva Total (TPM), envolvem muito mais cada um dos trabalhadores nas operações diárias. Essa responsabilidade acrescida transforma-se em mais participação, empenho e equipas de alta performance.

 

Segurança no trabalho

Conhece alguém que goste de um trabalho repleto de riscos de segurança? Nós também não. Mas a segurança no trabalho é um problema particularmente agudo na manutenção, que está relacionada com 10-15% dos acidentes de trabalho mortais na Europa e a 15-20% do total. 

 

Por isso, não há dúvida que proporcionar um ambiente de trabalho seguro é um dos fatores que mais contribui para a reduzir a rotatividade do departamento de manutenção. As novas tecnologias também podem contribuir para diminuir o número de acidentes de trabalho, através de sensores, sondas, robots e da Internet of Behaviours (Internet dos Comportamentos). 

 

Além disso, tenha em conta que estamos perante ao que em Português chamamos “uma pescadinha de rabo na boca”: se os seus técnicos não estiverem empenhados, é provável que sejam mais desleixados e corram riscos desnecessários. Segundo um estudo da Gallup, as empresas que envolvem mais os funcionários também são mais seguras e registam 70% menos acidentes de trabalho. 

Portanto, não só pode diminuir a rotação da sua equipa como aumentar a segurança no trabalho. Win-win, como gostamos aqui na Infraspeak.