A IFM Summit Lisboa de 2026 reuniu profissionais de facility management, tecnologia e operações para um dia inteiro de partilha e debate sobre o futuro do setor.

Entre keynotes, painéis e conversas informais, uma coisa ficou clara: o facility management está a entrar numa nova fase. Mais dados. Mais tecnologia. Mas, acima de tudo, decisões mais estratégicas.

Com contributos de especialistas de empresas como NOS, Capgemini, Acciona Facility Services, SC Fitness, Sage e MAP Property Services, o evento trouxe perspetivas distintas sobre o mesmo desafio: transformar operações complexas em sistemas mais inteligentes.

Estes foram cinco destaques que marcaram a IFM Summit Lisboa.

1. A AI deixou de ser tendência e passou a ser infraestrutura

A keynote de Ana Paiva, investigadora em inteligência artificial e professora no Instituto Superior Técnico e ex-Secretária de Estado da Ciência, apresentou uma perspetiva clara sobre o impacto da IA nas organizações.

A tecnologia evoluiu rapidamente, mas o ponto mais importante não é a tecnologia em si. É a forma como ela transforma o trabalho.

Hoje, ferramentas baseadas em IA conseguem automatizar tarefas cognitivas, analisar grandes volumes de dados e apoiar decisões. Mas isso levanta novas perguntas: quais tarefas devem ser automatizadas? Onde continua a ser essencial a intervenção humana?

A conclusão foi simples: a IA não substitui as pessoas. Amplifica-as.

2. O maior desafio do setor continua a ser o ciclo reativo

Um dos painéis mais discutidos do evento focou-se num problema que praticamente todas as organizações reconhecem: o ciclo reativo.

Neste debate participaram profissionais de diferentes áreas do setor, como Ricardo Rodrigo (NOS), Maria João Marques (Capgemini) ou Júlio Agra (Acciona Facility Services) — desde operações a consultoria tecnológica — todos com a mesma conclusão: muitas organizações continuam presas a ferramentas dispersas e dados fragmentados.

Sem dados centralizados, torna-se difícil transformar operação em estratégia.

A discussão apontou três pontos críticos para quebrar esse ciclo:

  • estruturar dados operacionais
  • centralizar informação em plataformas comuns
  • alinhar equipas desde o início dos processos de transformação

A tecnologia já existe. O verdadeiro desafio é organizacional.

3. Dados conectados criam operações mais inteligentes

A importância de sistemas conectados foi outro tema central do evento.

Marco Cardoso, da Sage Portugal, explicou como a integração entre plataformas empresariais e ferramentas operacionais permite ligar operações no terreno à tomada de decisão estratégica.

Quando sistemas de gestão financeira, inventário e manutenção comunicam entre si, as organizações conseguem criar uma visão completa da operação.

Quando dados operacionais, inventário, manutenção e gestão financeira estão ligados, as equipas conseguem:

  • tomar decisões mais rápidas
  • reduzir tarefas administrativas
  • aumentar a eficiência operacional

Esta integração cria aquilo que vários oradores descreveram como uma visão de 360 graus sobre a operação

4. O FM está a tornar-se uma função estratégica

Outro tema forte do evento foi a evolução do facility management enquanto função estratégica dentro das organizações.

Bernardo Rocha Novo, CEO da SC Fitness, explicou como a manutenção deixou de ser vista apenas como um custo operacional para passar a ser um investimento estratégico — essencial para garantir competitividade e experiência do cliente em redes com dezenas de instalações.

Ao mesmo tempo, empresas como a MAP Property Services, representada pelo seu Diretor-Geral, Diogo Conceição, mostraram como a gestão integrada de ativos — desde a construção até à operação — está a transformar a forma como os edifícios são geridos ao longo do seu ciclo de vida.

Esta mudança de perspetiva altera também a forma como as empresas organizam equipas, processos e tecnologia.

5. A tecnologia precisa sempre de um elemento humano

Apesar de toda a tecnologia discutida ao longo do evento, houve um consenso claro: a transformação não acontece sem pessoas.

Oradores como André Monteiro, da bimTEC, que apresentou aplicações de Digital Twins na gestão de edifícios, reforçaram que a tecnologia, os dados e os modelos digitais só criam valor quando as equipas conseguem utilizá-los no terreno.

A adoção de novas ferramentas exige formação, mudança cultural e liderança capaz de explicar por que a mudança é necessária.

Equipas envolvidas desde o início dos projetos têm maior probabilidade de adotar novas soluções e de melhorar os processos existentes.

No final, tecnologia é apenas o meio. O verdadeiro motor da mudança continua a ser o ser humano.

Um setor em clara evolução

A IFM Summit Lisboa mostrou um setor em rápido crescimento.

A inteligência artificial está a transformar tarefas. A integração de dados está a mudar a forma como as operações são geridas. E o facility management está cada vez mais ligado à estratégia das organizações.

A conversa continua.