Uma das métricas mais utilizadas para entender, medir e melhorar a performance é a eficiência global do equipamento – também conhecida pela sigla OEE, do inglês overall equipment effectiveness. Em termos gerais, poderíamos dizer que o OEE é calculado com base na performance, disponibilidade e qualidade da máquina. Mas há mais dois indicadores, o TEEP e o OOE, que se calculam com base nos mesmos fatores. Então, qual é a diferença entre o OEE, o TEEP e o OOE?

O que é o OEE?

Tal como já explicámos acima, o OEE analisa a performance (capacidade de produção), a qualidade da máquina (número de peças sem defeito) e a disponibilidade da máquina. A disponibilidade da máquina é calculada consoante o tempo em que a máquina esteve a funcionar e as horas de trabalho planeadas:

OEE

Vamos a um exemplo de como calcular o OEE?

Imagine um dia normal de trabalho, a começar às 9 da manhã e a terminar às 18 horas, com uma pausa para almoço de 1 hora. O tempo de produção planeado é então de 8 horas – 480 minutos. No entanto, entre as mudanças de funcionários, o tempo que a máquina leva a ligar, etc, perdem-se 47 minutos (downtime) — portanto, o tempo de produção real é 433 minutos. Então, a disponibilidade será 433/480 = ~0.902 (90.2%)

Durante esse dia, são produzidas 19690 peças, 19270 em perfeito estado e 420 defeituosas.  Então, o índice de qualidade será 19270/19690 = ~0.979 (97.9%)

Já para calcular a performance, teremos em conta que o tempo de produção ideal de cada peça é de 1.3 segundos. Então, vamos multiplicar esse tempo pelo número de peças produzidas e dividir pelo tempo em que esteve a funcionar:

(1.3 * 19690)/(433 * 60) = 25597/25980 = ~0.985 (98.5%)

O cálculo do OEE seria então 0.902*0.979*0.985 = ~0.87 (87%)

O objetivo é comparar o comportamento real do equipamento face à sua capacidade máxima. Se o OEE for baixo, significa que há margem para melhorar – alguma coisa o está a impedir de atingir a produção esperada. Quanto mais próximo o OEE estiver de 100%, mais próximos estaremos da capacidade máxima de produção. É aqui que entra em jogo outro indicador – o TEEP.

O que é o TEEP?

A grande diferença entre o OEE e o TEEP é o tempo que têm em consideração no cálculo da disponibilidade. Enquanto o OEE calcula a disponibilidade apenas com base no tempo de produção planeado, o TEEP usa o tempo total disponível — isto é, 24 horas por dia, 365 dias por ano. A fórmula de cálculo é então:

TEEP

Como calcular o TEEP

Tomamos novamente o exemplo que explorámos acima. Depois de ter detetado que um dos maiores problemas era o excesso de downtime, o gestor de manutenção tomou medidas para melhorar esse ponto. Alguns meses mais tarde, o downtime médio por dia era apenas de 20 minutos.

Isso significa que o tempo de produção real subiu para 460 minutos – a disponibilidade passou a ser, portanto, de 0.958 (95.8%).

O número de peças subiu para 20936 peças por dia — das quais 20307 peças estão em boas condições e 629 têm defeito. O índice de qualidade está a 0.97 (97%). A performance manteve-se estável em 98.6%. O cálculo do OEE diário seria então 91.6%.

Já o TEEP, seria =

0.986 * 0.97 * 460/(24*60) = ~0.306 (30.6%) Ou seja, a empresa ainda pode crescer muito, mesmo sem adquirir novo equipamento ou instalações.

Se o OEE lhe dá uma ideia sobre a capacidade máxima de produção, o TEEP é um bom indicador quanto à escalabilidade do seu negócio. Se tem um OEE alto mas um TEEP baixo, é altura de ponderar estender os turnos da empresa, criar um novo turno (por exemplo, à noite) ou começar a operar também aos fins de semana.

Se ambos os indicadores estão altos e mesmo assim não consegue dar resposta aos pedidos, parabéns – a sua empresa está a crescer e precisa de novos meios de produção em breve.

O que é o OOE?

Não podemos acabar este artigo sem mencionar o OOE. Mais uma vez, a diferença está na forma como calculamos a disponibilidade de um determinado equipamento:

OOE

Enquanto o OEE tem em conta o tempo planeado, na fórmula do OOE usamos o tempo de cada turno, mesmo que a máquina esteja parada para uma ação de reparação ou inspeção.