O que é a manutenção preditiva?

Profissional de manutenção realizando seus processos para cumprir as rotinas de trabalho
Técnico em eletricidade realizando a manutenção de um equipamento de elevadores

Todo técnico ou gestor de manutenção sabe o quanto é importante criar uma estratégia de manutenção para os ativos da empresa. Não apenas para evitar as interrupções de produção, mas também os custos dispendiosos não programados. Essa é algumas das vantagens da manutenção preditiva. Além de ser a mais avançada atualmente, ela também consegue cobrir as falhas dos outros tipos de manutenção, tais como a corretiva e a preventiva.

Para que você não se confunda mais, a manutenção corretiva é aquela que vai solucionar o problema, só depois dele acontecer. Como uma lâmpada queimada em casa; você só se preocupa em trocar, quando ela deixa de acender. Já a manutenção preventiva é tal e qual o próprio nome diz, vai prevenir de forma calendarizada, que o ativo falhe. A mesma lógica da revisão de um carro, feita a cada 20 mil quilômetros rodados, por exemplo.

Ou seja, esperar que o ativo para de funcionar ou então fazer uma manutenção desnecessária não é o ideal para alguns negócios. Imagine você tendo que trocar uma lâmpada de 3 em 3 meses antes que ela queime. Talvez ela durasse por mais 3 meses! Mas ficar no escuro também não é nada legal. Imagina se for num domingo, ao fim da tarde, quando você deseja fazer aquele lanchinho antes de relaxar no sofá?

Esse dilema pode parecer bobo, mas ao considerar um ativo crítico de uma empresa, seja ela do ramo da hotelaria, AVAC, varejo ou indústrias pode custar caro. E não apenas financeiramente falando. A reputação também estará em jogo.

O que é manutenção preditiva

Esse tipo de manutenção vai monitorar as condições do ativo em questão, de forma a garantir que ele mantenha o seu desempenho ideal. O técnico ou gestor estabelece os padrões de funcionamento e escolhe qual tipo de dispositivo será utilizado para acompanhar aquele ativo. Quando alguma anomalia surge, determina-se a ação de reparo.

Depois da explicação você deve estar pensando em como monitorar, acompanhar e realizar esse tipo de intervenção, não é verdade? Principalmente se existem vários ativos críticos na empresa. Mas não se preocupe, a era da Indústria 4.0 já está aí e, uma das facilitações que ela trouxe é a da Internet das Coisas ou IoT, Internet of Things.

Ela permite que sejam instalados sensores e dispositivos que, ao serem configurados podem armazenar dados e fornecer informações relevantes sobre o ativo. Tudo isso em tempo real e sempre conectado à internet. Desta  para a manutenção torna-se mais assertiva e fiável. Além de poder ser acompanhada de qualquer lugar.

Quando fazer

A manutenção preditiva não determina quando o ativo deve receber a intervenção, com base num calendário de atividades. Mesmo se houverem dados históricos de que um determinado ativo tem vida útil de 1 ano. Muito pelo contrário, é feito o monitoramento constante, para que seja avaliada as condições operacionais. Assim, a altura correta de substituição de uma peça pode acontecer antes ou depois do estimado.

Utiliza-se ao máximo um determinado equipamento, sem que ele caia de produtividade e, a substituição da peça é feita, de forma eficiente e econômica. Garante-se o prolongamento da vida útil do ativo. Ou seja, sempre que uma determinada condição não é atingida, como por exemplo, produzir 10 unidades por minuto, sem ultrapassar a temperatura de 30º graus, uma ordem de serviço de manutenção é emitida.

Pense em uma mulher grávida: o previsto é que o nascimento ocorra aos 9 meses de gestação. Entretanto, alguns fatores podem influenciar nessa data e a criança vir a nascer antes ou depois. Como é feito então para garantir que a gestação siga de forma saudável? Com o pré-natal e exames como a ultrassonografia.  

Como fazer

O primeiro passo é estudar e conhecer o ativo em questão. Revisar o seu histórico de manutenção e determinar quais são os tipos de intervenções possíveis, assim como quaisquer outros dados informativos relevantes. Essas informações ajudarão a estabelecer e implementar o sistema preditivo. Conheça quais são os parâmetros:

  1. Fatores base: determina-se qual é o limite, com base nas condições aceitáveis de funcionamento do ativo. Cada ativo possui especificações, que devem ser consideradas, sempre em função do desempenho, para que não haja prejuízos. Uma peça danificada ou prestes a estragar pode produzir ou desempenhar serviços sem qualidade e até mesmo com defeitos.

Basta comparar com o motor de um veículo, que não deve aquecer, se estiver no seu desempenho total. Se a temperatura subir e atingir o limite é preciso realizar a manutenção de óleo e água, ou até mesmo a substituição de peças como, mangueiras e correia.

  1. Instalação dos dispositivos: uma vez que são determinados os parâmetros de qualidade, configura-se os sensores de acordo com esses dados e informações. Pode ser um sensor de vibrações, instalado nas engrenagens, por exemplo. Ou até mesmo um sensor de temperatura, instalado nas caldeiras.

 

  1. Conectar sensores aos dispositivos: após a conclusão dos processos anteriores é preciso estabelecer a conexão entre os sensores, softwares e dispositivos. Usando a lógica da Internet das Coisas, para que seja possível realizar o acompanhamento. O software de manutenção capaz de realizar esse monitoramento em tempo real é o CMMSComputerized Maintenance Management System.

 

  1. Manutenção: ao estabelecer a conexão, inicia-se de forma automática o monitoramento do limite e das condições estabelecidas para a manutenção preditiva. Ou seja, passa a ser necessário que um técnico ou gestor de manutenção acompanhe o painel, assim como realize as ordens de serviço em caso de necessidade de intervenção.

Tipos e exemplos de manutenção preditiva

Até agora nenhuma novidade quanto ao trabalho que deve ser realizado dentro de uma indústria ou negócio para manter o ativo a funcionar! Determina-se quais são os ativos críticos; apontam-se os dados de produção; analisa-se os históricos de manutenção e… de que forma é possível monitorá-los para garantir o seu potencial?

São 4 os tipos básicos de manutenção preditiva: análise de vibrações; análise de óleo; ultrassom e termografia. Cada um destes possui um determinado custo e vai avaliar diferentes padrões. Cabe aos responsáveis, com base nas informações recolhidas, determinar qual será a ideal para cada um dos ativos em questão:

Análise de vibrações: esse tipo é ideal para as máquinas de alta rotação. Ou seja, que emitem ondas de vibração. Trata-se de uma das análises mais completas, no que diz respeito a sua capacidade de detectar defeitos mecânicos tais como:

  • Desgaste das engrenagens e/ou rolamentos;
  • Desalinhamento e empenamento dos eixos;
  • Problemas estruturais e/ou elétricos em motores;
  • Folgas e desbalanceamento de massa;
  • Falta de lubrificação (deficiente).

Em outras palavras, é quando se identifica algum tipo de barulho ou vibração que é diferente do habitual, como em um carro. Se alguma peça está batendo, o volante tremendo ou há um ruído fora do comum, alerta-se para a necessidade de uma revisão.

Análise de óleo: este tipo de manutenção preditiva é realizada em laboratório, a partir das propriedades do lubrificante, identificando se há agentes contaminantes e/ou detritos. Ela é definida em 3 categorias de análise: das propriedades (estado dos aditivos); dos contaminantes (partículas); do desgaste (monitoramento das máquinas):

  • Contaminação e oxidação;
  • Falhas de engrenamentos e desalinhamento;
  • Depreciação dos aditivos e desgaste de componentes mecânicos.

Essa análise pode ser comparada com aqueles tubos com gasolina dentro, que ficam do lado das bombas de abastecimento. Ali tem-se o resultado da pesquisa, indicando que os níveis estão equilibrados e o combustível é de qualidade. Ainda mais próximo da realidade são os exames de sangue, que determinam o quão “puro e ideal” ele está. Se houver taxas elevadas e um determinado componente, é preciso tratar.

Ultrassom: também conhecido como emissão acústica, é a técnica de manutenção capaz de identificar, por meio das ondas sonoras, se há algum problema no ativo. O equipamento que é utilizado faz a conversão do som a níveis que sejam audíveis aos ouvidos humanos:

  • Identificação de vazamentos em sistemas de ar comprimido, vapor e gases;
  • Identificação de fuga de eletricidade.

Bem característico da própria ultrassonografia feita nas mulheres grávidas, para verificar os batimentos cardíacos do bebê. Ali é possível determinar, por meio do som do coraçãozinho, se está tudo bem durante a gestação.

Termográfica: assim como o próprio nome diz, ela é capaz de identificar e registrar – por meio da radiação infravermelha – avarias nos ativos via temperatura de seus componentes. Identifica-se possíveis anomalias e suas principais aplicações são:

  • Motor elétrico;
  • Sistemas com caldeiras.

Essa análise é realizada por meio de uma câmera especial de radiação infravermelha, com sensor eletrônico. Ela transforma uma imagem simples em gráfico de radiação (quanto mais próximo ao vermelho, mais quente e ao azul, mais frio).

Assim como as câmeras utilizadas por militares para identificar a presença dos inimigos num campo de batalha. Muito característico dos filmes de ação e guerra.

Custos da manutenção preditiva

Criar o plano estratégico e implementar esse tipo de manutenção requer planejamento e dinheiro. O que já era de se esperar! Pode até parecer dispendiosa – e em alguns casos é – a curto prazo. Entretanto, a longo prazo, é uma estratégia eficiente e econômica. Ajuda, inclusive, a reduzir os custos com os ativos.

Para comprovar que é uma estratégia válida, coloque na ponta do lápis os valores que podem ser gastos se o ativo falhar ou deixar de produzir por um período determinado, enquanto é reparado. Calcule ainda o valor despendido em manutenção, que pode ser evitado, no caso da vida útil alargada e garantida.

É por isso que os softwares de manutenção são capazes de realizar um aumento de até 10 vezes no ROI, considerando uma redução de cerca de 25-30% nos custos de manutenção; 70-75% nas paradas não programadas; 20-25% de aumento de produção; e de 35-45% no tempo de inatividade de um determinado equipamento.

Por isso é importante considerar a criticidade e o custo-benefício desta técnica para os ativos da empresa.

Vantagens e benefícios da manutenção preditiva

É parte da manutenção preditiva ter uma equipe própria ou contratada para realizar a análise dos ativos, assim como há a necessidade dos equipamentos para obter as informações necessárias. Entretanto, são diversos os benefícios que compensam esses dois fatores:

  • Redução dos números de falhas e inatividade dos equipamentos;
  • Aumento da vida útil dos ativos (monitoramento constante);
  • Diminuição dos custos totais de manutenção (realizada quando necessário);
  • Melhoria da imagem e confiabilidade da empresa;
  • Potencialização e facilitação das certificações e processos de segurança interna.

Além de proporcionar mais eficiência e prolongar a vida útil de ativos críticos, também melhora a reputação de mercado. Uma empresa de confiança atrai stakeholders dispostos a investir numa produção sustentável e lucrativa.

Cria-se um ciclo eficiente para todos os envolvidos, inclusive o cliente final que receberá um produto de qualidade em “suas mãos”.